A Dança Sagrada das Forças Sutis e a Cura da Alma
A Dança das Forças Sutis e o Caminho da Cura Interior
Da Dinâmica Energética do Psiquismo de Theda Basso à visão sistêmica da Psicologia Marquesiana
Por José Roberto Marques
O corpo como expressão da alma
O ser humano não pode ser compreendido apenas pelos limites do corpo físico ou pelos mecanismos visíveis da fisiologia. Somos uma complexa integração de pensamentos, emoções, memórias, experiências e forças que participam continuamente da construção da nossa existência.
Ao longo de décadas dedicadas ao acolhimento terapêutico, à formação de líderes e ao desenvolvimento de uma visão integrativa do ser humano, tornou-se evidente que aquilo que se manifesta no corpo muitas vezes está relacionado a processos mais profundos da experiência psíquica.
Quando o equilíbrio interno é rompido, o organismo pode expressar, de diferentes maneiras, aquilo que permanece sem elaboração na vida emocional.
Nesse contexto, a Dinâmica Energética do Psiquismo, conhecida como DEP, desenvolvida por Theda Basso e seus colaboradores, representa uma importante aproximação entre psicoterapia corporal, psicodinâmica, tradições orientais dos chakras e espiritualidade.
A proposta parte da compreensão de que experiências emocionais, conflitos e traumas podem repercutir na forma como a pessoa percebe o próprio corpo, organiza sua energia e estabelece relações consigo mesma e com o mundo.
Entretanto, a compreensão do indivíduo pode avançar ainda mais quando sua história pessoal é observada em conexão com sua família, sua ancestralidade, seus vínculos e sua dimensão espiritual.
É nesse ponto que a Psicologia e a Constelação Sistêmica Integrativa Marquesiana estabelece seu diálogo com a DEP, com as constelações sistêmicas e com os princípios das Sagradas Escrituras.
Theda Basso e a Dinâmica Energética do Psiquismo
Para compreender a proposta de Theda Basso, é necessário considerar uma visão de ser humano que ultrapasse a separação rígida entre corpo e mente.
A DEP aproxima conhecimentos relacionados aos centros energéticos tradicionalmente conhecidos como chakras das experiências psicológicas, emocionais e corporais.
Dentro dessa perspectiva, os sete principais centros de energia representam diferentes dimensões da experiência humana.
Primeiro chakra — Centro Básico
Localizado na região inferior do corpo, relaciona-se simbolicamente à sobrevivência, segurança, estabilidade, pertencimento e capacidade de permanecer conectado à realidade.
Segundo chakra — Centro Sexual e Criativo
Associado ao baixo ventre, representa vitalidade, criatividade, prazer, espontaneidade e relação com a própria capacidade de sentir e criar.
Terceiro chakra — Plexo Solar
Relacionado à região abdominal, simboliza força pessoal, autonomia, vontade, capacidade de ação e posicionamento diante da vida.
Quarto chakra — Centro Cardíaco
Localizado no centro do peito, representa amor, compaixão, vínculo, perdão e integração entre as dimensões mais instintivas e as experiências espirituais.
Quinto chakra — Centro Laríngeo
Relacionado à garganta, expressa comunicação, autenticidade, criatividade e capacidade de manifestar aquilo que verdadeiramente pensamos e sentimos.
Sexto chakra — Centro Frontal
Associado à região entre as sobrancelhas, representa percepção, discernimento, intuição e capacidade de compreender aquilo que está além das aparências.
Sétimo chakra — Centro Coronário
Situado no alto da cabeça, simboliza transcendência, espiritualidade, consciência e conexão com uma realidade maior.
Na perspectiva da DEP, experiências traumáticas e conflitos emocionais podem repercutir corporalmente e influenciar a maneira como esses centros são percebidos e vivenciados.
Uma criança submetida à rejeição, abandono, violência ou desqualificação pode desenvolver mecanismos de proteção que permanecem presentes ao longo da vida.
Na Psicologia Marquesiana, essa compreensão é ampliada pela observação dos padrões familiares e transgeracionais.
O sofrimento de uma pessoa não é necessariamente compreendido apenas a partir de sua biografia individual, mas também dentro do contexto de seus relacionamentos e de sua história familiar.
Corpo, aura e expressão emocional
A leitura corporal ocupa lugar importante nessa abordagem porque o corpo também comunica aquilo que nem sempre conseguimos colocar em palavras.
Segundo essa visão, experiências intensas podem ser percebidas na postura, na respiração, na tensão muscular e na maneira como a pessoa ocupa o espaço.
Traumas podem produzir sensação de vulnerabilidade, retraimento ou permanente estado de alerta.
Da mesma forma, ressentimentos prolongados, medo, culpa e dificuldade de elaborar experiências passadas podem aparecer associados a tensões e desconfortos corporais.
A proposta não consiste simplesmente em substituir pensamentos negativos por pensamentos positivos.
O processo envolve reconhecer aquilo que aconteceu, entrar em contato com as emoções, compreender os padrões envolvidos e construir uma nova relação com a própria história.
O perdão, nesse contexto, não significa negar o acontecimento ou considerar aceitável aquilo que causou sofrimento.
Significa retirar da experiência passada o poder de continuar governando o presente.
Quando a pessoa consegue reconhecer sua própria história sem permanecer aprisionada por ela, cria condições para experimentar maior liberdade emocional.
O coração como ponto de integração
Entre os sete centros tradicionalmente apresentados pela DEP, o cardíaco ocupa uma posição central.
Ele pode ser compreendido simbolicamente como uma ponte entre as dimensões mais concretas da existência e aquelas relacionadas à espiritualidade.
Os centros inferiores representam aspectos ligados à sobrevivência, prazer, criatividade, autonomia e realização.
Os superiores estão relacionados à comunicação, percepção, consciência e transcendência.
O coração permanece entre esses dois mundos.
Quando alguém passa por rejeições, perdas, traições ou experiências de desamor, pode desenvolver formas de proteção emocional que dificultam a entrega, a intimidade e a vulnerabilidade.
Externamente, essa pessoa pode parecer forte, produtiva e autossuficiente.
Internamente, entretanto, pode existir medo de confiar, de amar ou de permitir que outras pessoas conheçam suas fragilidades.
A Psicologia Marquesiana propõe trabalhar essa abertura por meio da consciência, da reconciliação com a própria história e da experiência do amor.
Abrir o coração não significa tornar-se vulnerável a qualquer pessoa.
Significa deixar de viver permanentemente protegido contra a possibilidade de sofrer.
A dimensão sistêmica da experiência humana
Um dos principais diferenciais da Psicologia e Constelação Sistêmica Integrativa Marquesiana está na ampliação da análise para além da história individual.
O indivíduo nasce dentro de uma família e recebe, juntamente com a própria vida, uma série de vínculos, histórias, valores, conflitos e padrões relacionais.
Experiências de exclusão, perdas, conflitos, segredos familiares e acontecimentos traumáticos podem influenciar a maneira como gerações posteriores percebem pertencimento, autoridade, relacionamento e identidade.
Dentro da visão sistêmica, portanto, compreender o indivíduo também significa observar o lugar que ele ocupa dentro de sua família.
O primeiro chakra e o pertencimento
A raiz pode ser compreendida simbolicamente como expressão do vínculo com a própria origem.
Rejeitar a própria história, sentir vergonha das raízes ou permanecer em conflito permanente com os pais pode representar uma dificuldade de reconhecer o próprio lugar na linhagem.
O segundo chakra e a relação com o masculino e o feminino
Questões relacionadas à sexualidade, afetividade, criatividade e vínculo também podem ser observadas dentro da história familiar e dos modelos relacionais transmitidos entre gerações.
O terceiro chakra e o lugar dentro da família
A força pessoal também pode ser afetada quando alguém assume responsabilidades que não lhe pertencem ou tenta ocupar posições que deveriam ser desempenhadas por outros membros do sistema.
O quarto chakra e a inclusão
O coração representa simbolicamente a capacidade de incluir.
Pessoas esquecidas, excluídas ou rejeitadas pela família podem permanecer como temas não elaborados dentro da memória familiar.
Reconhecer essas histórias significa permitir que aquilo que foi negado deixe de permanecer oculto.
A reconciliação com a família não exige idealização dos pais ou dos antepassados.
Significa reconhecer que eles fizeram parte da história que tornou possível a nossa própria existência.
A reconciliação com os antepassados
Dentro dessa perspectiva, uma prática importante consiste em olhar para os pais e ancestrais sem exigir deles aquilo que não puderam oferecer.
A pessoa pode reconhecer as dores recebidas, mas também reconhecer a vida que chegou até ela.
Uma oração ou exercício de reflexão pode expressar essa atitude:
Queridos pais, queridos avós e ancestrais da minha linhagem, reconheço as histórias, as dores e os caminhos que fizeram parte da trajetória de vocês. Recebo a vida que chegou até mim e devolvo, com respeito, aquilo que não me pertence. Honro a história de vocês e escolho seguir adiante com liberdade, amor e responsabilidade. Que eu possa transformar aquilo que recebi em uma vida de paz, propósito, prosperidade e serviço.
A proposta é deixar de carregar aquilo que pertence ao passado e assumir responsabilidade pela própria existência no presente.
DEP e Psicologia Marquesiana: duas perspectivas em diálogo
A Dinâmica Energética do Psiquismo apresenta uma leitura centrada na relação entre corpo, emoções, energia e experiência psicológica.
A Psicologia Marquesiana amplia essa perspectiva ao acrescentar a dimensão sistêmica, ancestral e espiritual.
Na compreensão da origem dos conflitos, a DEP enfatiza experiências pessoais, traumas e processos corporais.
A perspectiva marquesiana acrescenta a investigação dos vínculos familiares, das lealdades inconscientes e dos acontecimentos que atravessam gerações.
Na intervenção, a DEP trabalha com percepção corporal, respiração, expressão emocional e mobilização energética.
A abordagem marquesiana acrescenta práticas relacionadas à reconciliação familiar, ao pertencimento, ao perdão, à espiritualidade e à construção de novos significados.
No centro de toda essa integração está a compreensão de que o ser humano não pode ser reduzido a uma única dimensão.
Corpo, emoções, relações, história e espiritualidade participam da construção da experiência humana.
A Bíblia e a linguagem da luz
A espiritualidade bíblica oferece outra linguagem para compreender transformação interior.
No Evangelho de Lucas, Jesus afirma:
A candeia do corpo são os olhos. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso.
A imagem da luz aparece diversas vezes nas Escrituras como representação de consciência, verdade, orientação e presença divina.
No livro de Zacarias, encontramos a imagem do candelabro de sete lâmpadas:
Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
Essa simbologia pode ser relacionada, dentro da perspectiva integrativa apresentada neste artigo, à ideia de um ser humano que busca harmonizar diferentes dimensões de sua existência por meio da espiritualidade.
No Evangelho de João, Jesus também afirma:
Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.
A imagem dos rios de água viva representa a possibilidade de uma vida interior renovada, capaz de transbordar para as relações e para o mundo.
O Protocolo dos Quatro Movimentos do Alinhamento Bioespiritual
Para transformar esses princípios em uma prática cotidiana, a Psicologia Marquesiana apresenta quatro movimentos.
1. Ancoragem da raiz
Sente-se confortavelmente, mantenha os pés no chão e concentre a atenção na respiração.
Imagine raízes saindo da base do corpo e penetrando profundamente na terra.
Traga mentalmente seus pais e antepassados e reconheça a vida recebida.
Repita:
Eu tomo a vida que veio da minha linhagem. Eu pertenço. Eu tenho raízes e posso caminhar pela vida com segurança e responsabilidade.
2. Pacificação do plexo solar
Leve a atenção para a região do estômago.
Observe onde existe necessidade excessiva de controlar pessoas, situações ou resultados.
Respire profundamente e permita que o corpo relaxe.
Repita:
Eu renuncio à necessidade de controlar tudo. Coloco minha força a serviço da justiça, da cooperação e do bem.
3. Abertura do coração
Coloque a mão sobre o peito e respire lentamente.
Pense em alguém ou em alguma situação que ainda produz sofrimento.
Reconheça o que aconteceu e escolha não permanecer preso à mágoa.
Repita:
Eu libero aquilo que já não preciso carregar. Escolho seguir em frente com o coração aberto para o amor, para a paz e para a vida.
4. Conexão espiritual
Direcione sua atenção para o alto da cabeça e entre em oração.
Consagre seus pensamentos, suas palavras e suas ações ao propósito que considera maior.
Ore:
Senhor, faz do meu corpo o Teu templo. Que meus pensamentos sejam lúcidos, minhas palavras sejam justas, meu coração seja amoroso e minhas mãos trabalhem com honestidade para o bem da humanidade.
Depois, abra os olhos lentamente e retorne às atividades do dia.
Liderança e equilíbrio nos ambientes corporativos
A mesma lógica pode ser aplicada às organizações.
Uma empresa também possui relações, valores, conflitos, estruturas de poder e padrões de comportamento que influenciam o ambiente coletivo.
O chamado Chakra Básico Corporativo pode ser relacionado à segurança financeira, estrutura jurídica e estabilidade operacional.
O Centro Sexual e Criativo representa inovação, criatividade e capacidade de gerar novas possibilidades.
O Plexo Solar Corporativo corresponde à liderança, governança, metas e posicionamento.
O Centro Cardíaco está relacionado à humanidade das relações, responsabilidade social e respeito aos colaboradores.
O Centro Laríngeo representa transparência e qualidade da comunicação.
O Centro Frontal corresponde à visão estratégica.
E o Centro Coronário simboliza o propósito maior da organização.
Nessa perspectiva, o líder exerce influência não apenas pelas decisões que toma, mas também pela maneira como se posiciona emocionalmente diante da equipe.
Um líder que age com clareza, coerência e equilíbrio contribui para a construção de ambientes mais seguros e colaborativos.
A prosperidade deixa de ser compreendida apenas como resultado financeiro e passa a envolver também ética, sustentabilidade, relações humanas e propósito.
Da experiência terrena à dimensão espiritual
Quando integramos a leitura energética da DEP, a visão sistêmica das relações familiares e a espiritualidade cristã, chegamos a uma compreensão ampliada do ser humano.
A pessoa carrega marcas da própria história, mas não precisa permanecer determinada por elas.
Traumas podem ser reconhecidos.
Padrões podem ser questionados.
Relações podem ser ressignificadas.
E a espiritualidade pode oferecer um sentido maior para esse processo.
A experiência humana deixa, então, de ser apenas uma luta contra aquilo que dói e passa a representar também uma oportunidade de transformação.
Na perspectiva cristã apresentada pela Psicologia Marquesiana, a redenção encontra sua expressão máxima no amor divino manifestado em Cristo.
A cruz representa, nessa visão, a possibilidade de transformar dor, culpa e sofrimento em reconciliação, esperança e vida renovada.
Conclusão: o despertar do homem luminoso
A trajetória da Dinâmica Energética do Psiquismo representa uma tentativa de compreender o ser humano para além de uma visão exclusivamente material.
A contribuição de Theda Basso e da tradição da DEP está justamente na aproximação entre corpo, emoções, energia e consciência.
A Psicologia e a Constelação Sistêmica Integrativa Marquesiana amplia esse olhar ao incluir família, ancestralidade, espiritualidade e propósito.
O indivíduo não precisa negar sua história para seguir adiante.
Pode reconhecer suas raízes sem ficar preso a elas.
Pode honrar seus pais sem repetir seus padrões.
Pode reconhecer suas feridas sem transformar a dor em identidade.
Pode abrir novamente o coração sem abandonar seus limites.
E pode transformar sua própria trajetória em fonte de aprendizado, serviço e legado.
Desperte a sua luz interior.
Finque suas raízes na história que lhe trouxe até aqui.
Reconheça aqueles que vieram antes.
Libere aquilo que não precisa continuar carregando.
Abra espaço para o amor, para a consciência e para a responsabilidade.
Lidere sua vida com coragem, cuide das suas relações, conduza seus negócios com honra e caminhe em direção ao propósito que dá sentido à sua existência.
Ergue-te e resplandece.
Que a caminhada sob a luz da Psicologia Marquesiana seja uma jornada de harmonia, consciência, autoridade moral e amor, inspirando cada pessoa a reconhecer sua própria força, pacificar sua história e construir um legado capaz de alcançar as próximas gerações.