O que devemos aprender com a Anitta e seus dias sem telefone?

Redes Sociais e Anitta

Anitta sobre o uso das redes sociais.

A cantora Anitta, causou certa movimentação na internet ao afirmar que passou quatro dias com seu celular trancado em um cofre, durante suas férias. O relato gerou comentários de pessoas que apoiam a cantora e de outras que reprovaram a atitude.

Após o “período sabático” das redes sociais e do seu smartphone, a cantora fez um textão para falar sobre essa experiência. Confira:

“Voltei. Me propus a ficar 4 dias sem pegar no celular. Tranquei no cofre do hotel no Hawaii e fui viver. Já pararam pra se perguntar quantas vezes você olhava pro celular enquanto o mundo acontecia ao seu redor? A tecnologia é uma mágica alcançada por nós, trouxe tanta coisa boa pra gente. Graças a ela eu consigo levar meu trabalho mais rápido pelo mundo afora, por exemplo. Posso falar com a minha família enquanto estou longe trabalhando. Posso comandar minha empresa a distância. Podemos ajudar pessoas de longe. Quanta coisa boa! Mas será que estamos usando da maneira certa? Nesses 4 dias sem telefone vi pessoas jantando sem se falar, presos em suas telas. Uma paisagem linda como essa e todos no telefone. Não era melhor então ver pelo google? Vi uma baleia passar na nossa frente do nada (se estivesse olhando minha tela nao veria). Quantas vezes pegou no telefone hoje sem ter motivo algum? Preso na dependência dos likes, dos comentários, em ver a vida alheia, em comentar a vida alheia. Isso foi feito pra nos divertir, e não para nos tornar pessoas ansiosas, depressivas e dependentes. Foi feito para nos unir, e não pra fazer as pessoas brigarem e jogarem ódio umas nas outras. Foi feito pra matarmos a saudade de quem está longe, e não pra bisbilhotar a vida do outro e encher o coração de inveja. A vida de todos tem momentos ruins, mas as pessoas não postam momentos difíceis em suas redes sociais. Então não podemos afundar nossos olhos como se esse fosse o mundo em uma tela. Essa é uma versão do mundo em uma tela. Não me entendam mal, a internet faz meu sonho possível, amo, sou grata, reconheço. Converso com vocês que me ajudam tanto. Mas tudo na vida precisa de equilíbrio. Foram apenas 4 dias. Voltei e tudo continua caminhando como estava antes, tudo certo. Agora estou aqui novamente e a vida segue. Conectar é preciso, gostoso, importante. Desconectar também.”

Para José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching e  Master Coach Senior, essas pausas e as reflexões geradas por ela nos fazem evoluir e repensarmos sobre as coisas que realmente importam em nossas vidas. “Passamos muitas horas do dia checando e-mails, respondendo mensagens, olhando fotos, textos e publicações nas redes sociais. Se pararmos pra pensar estamos todo tempo conectados, não que isso seja ruim, mas como tudo na vida, é preciso ter equilíbrio”, afirma o Master Coach.

Anitta foi bem sensata quando afirma que redes sociais fazem parte do trabalho, assim como ajuda na divulgação e se conectar com o maior número de pessoas ao redor do mundo, não é à toa que a cantora possui mais de 27 milhões seguidores no Instagram e mais de 8 milhões de inscritos em seu canal do Youtube. Porém aquela pausa para apreciar as coisas que acontecem na nossa vida são de extrema importância.

“Você não precisa ser uma cantora famosa e nem estar de férias no Havaí para se permitir viver momentos de desconexão como esse. Na verdade eu diria momento de conexão, pois você se conectará consigo mesmo”, sugere o presidente do IBC. Ainda, segundo o Master Coach, é preciso avaliar quando essa conexão é algo produtivo e quando estamos desperdiçando tempo com as coisas que realmente vão nos trazer resultado.

Uma dica do especialista, para quem não pode ficar longos períodos longe dos aparatos eletrônicos, é estipular alguns horários para fazer checagem e focar maior tempo naquilo que realmente é importante. “O estado de atenção focado é muito importante para que você verdadeiramente viva aquilo que está fazendo, seja uma atividade em casa, um hobbie e também nos seus afazeres de trabalho, para que você se torne mais produtivo e tenha aquela sensação de dever cumprido”

As redes sociais e nossa saúde

Uma pesquisa realizada pela Royal Society for Public Health, instituição pública de saúde do Reino Unido, junto ao Young Health Movement (Movimento de Saúde Jovem), constatou que redes sociais são mais viciantes que álcool e cigarro.

O estudo realizado com 1.500 pessoas de 14 a 25 anos constatou que 90% delas usam redes sociais, mais do que grupos de outras faixas etárias. Esse mesmo grupo de jovens são os avaliados como os mais ansiosos, deprimido, com autoestima baixa e falta de sono, sendo que chega a 70% o aumento de taxas de ansiedade e depressão, nos últimos 25 anos, para essa faixa etária.

Foram ranqueados as principais redes sociais – Youtube, Instagram, Facebook, Twitter e Snapchat – e suas influências na saúde, comportamento e bem-estar.

A pesquisa mostrou ainda que o Instagram é a rede social mais nociva, apontado negativamente pelos usuários quando o assunto é referente a percepção de autoimagem, já que o aplicativo é focado em imagem e a exibição da “vida perfeita” é o que mais se vê.

Os pesquisadores envolvidos neste estudo fazem um alerta para quem passa mais de duas horas por dia navegando nas redes sociais, pois são os mais propensos a desenvolverem algum tipo de distúrbio de saúde mental.

“Uma dica legal é não acessar seu celular logo que acordar, o momento de despertar é muito importante, procure ir devagar nesse processo, faça sua higiene pessoal, sua refeição, sua atividade física, sua leitura e depois inicie seu contato com a tecnologia”, sugere José Roberto Marques. Outra dica do especialista e definir um horário para se desligar dos aparelhos eletrônicos, seria uma espécie de detox do sono, um momento de desaceleração para um sono tranquilo, saudável e regenerador.

“Se uma pessoa apresentar algum tipo de problema como depressão, crises de ansiedade, distúrbios do sono é importante procurar um especialista. E para aqueles que desejam ser mais produtivos e viverem uma vida realizada, busque equilíbrio entre a vida real e o uso desnecessário das redes sociais”, finaliza o presidente do IBC.



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