O SER HUMANO E AS RELAÇÕES

Relacionamentos e o Ser Humano Relacionamentos e o Ser Humano

 

Relacionamentos constituem o núcleo essencial da vida em sociedade. Nos relacionamos com nossas famílias, vizinhos, comerciantes,professores e também com o próprio espaço que ocupamos. “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”, como já dizia o poeta Vinicius de Moraes.

Ainda que nem todos os relacionamentos possam ser considerados qualitativamente “bons”, é deles que depende a nossa vida. Nossa própria sobrevivência é inteiramente dependente dos vínculos
primários que estabelecem conosco desde nosso nascimento, quando sequer temos clareza do que significa se relacionar, até os vínculos que nós buscamos ativamente quando adultos, como trabalho, amigos,cônjuges etc.

Sem os vínculos primários, como o que se desenvolve entre mãe e filho,por exemplo, não é possível que um bebê sobreviva, se desenvolva ese torne uma pessoa. Isso é, afinal, o que define o ser humano: somos seres relacionais. Essa ideia, aliás, não é nenhuma novidade, embora
não seja devidamente conhecida e apreciada de forma prática. Neste capítulo trarei algumas contribuições dos meus estudos sobre Psicologia referentes aos relacionamentos humanos. Adoto como ponto de partida a própria formação humana: como surgem e como se desenvolvem os vínculos interpessoais, desde o nascimento até a idade adulta.

A linguagem que vou usar neste início pode ser um pouco fria e técnica, mas depois de pensar muito entendi que era necessário esse desafio para que esta obra tivesse, em termos de conteúdo, uma relevância científica.

Bom, quando disse que a ideia do ser humano como um ser relacional não é nova, eu pensava especificamente na Política de Aristóteles. O filósofo grego, há mais de dois mil anos, já tinha em sua filosofia a clareza de que o homem é um ser social. O que faz o homem é o próprio homem.

Quero dizer com isso que nós nos tornamos humanos através de outros humanos. Precisamos ser convocados, socialmente, a sermos humanos. Por isso, não é possível conceber o humano fora da sociedade. A própria perpetuação da espécie depende de aspectos relacionais: a reprodução humana só é possível através de uma união entre um homem e uma mulher.

Essa necessidade de união se refere, obviamente, à reprodução natural. Atualmente, graças ao avanço da medicina e das ciências biológicas em geral, já dispomos de meios de fertilização artificial. Embora dispensem a união sexual concreta entre macho e fêmea de uma espécie, esses métodos continuam sendo também relacionais, visto que dependem de conhecimentos adquiridos em conjunto ao longo de muitos anos de estudo, além de ser necessário que exista uma comunidade específica
de seres humanos capazes de assimilar e aplicar esses conhecimentos – a comunidade científica, no caso.

A dimensão social não é apenas consequência de questões ambientais, mas faz parte da própria natureza humana. A vida em sociedade é o modo natural da vida humana.

Tomei a liberdade de fazer esse pequeno grande salto temporal, de caráter meramente introdutório, para mostrar que a ideia da disposição natural do homem para relacionamentos já existia antes da psicologia como ciência, tal como a concebemos nos dias de hoje.

Foi um pequeno salto por ter sido breve, porém grande pela ousadia de tentar relacionar teorias separadas por mais de dois mil anos de história. Daqui em diante, abordaremos mais detalhadamente essas questões a partir de um viés psicológico e, mais adiante, com a entrada do Coaching na seara das relações humanas.

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